Investimentos bilionários em infraestrutura aquecem a economia real enquanto IFIX mantém estabilidade na B3

O cenário de infraestrutura no Brasil atravessa um momento de forte movimentação de capital, com a iniciativa privada e bancos de fomento estruturando operações robustas. Recentemente, duas grandes companhias com presença consolidada no país anunciaram planos de investimento que, somados, totalizam R$ 17,5 bilhões (aproximadamente US$ 3,4 bilhões). O fluxo de recursos tem destinos certos: a modernização de rodovias, a expansão da mobilidade urbana e a ampliação da capacidade aeroportuária nacional.

Aportes em rodovias e a estratégia da Motiva

Protagonista nessa nova rodada de investimentos, a Motiva definiu um plano agressivo para o ano de 2026, projetando injetar R$ 8,3 bilhões em suas operações. A estratégia da empresa sofreu um ajuste de foco após a venda de seus ativos aeroportuários para a operadora mexicana ASUR — um negócio de R$ 11,3 bilhões fechado em novembro do ano passado. Sem os aeroportos no balanço, a companhia concentra forças no transporte terrestre.

A fatia mais expressiva do orçamento, cerca de R$ 7,17 bilhões, será alocada no setor rodoviário, onde a Motiva administra 13 contratos de concessão. O restante do montante vai irrigar a área de mobilidade urbana, sustentando cinco contratos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões. Embora o valor total represente um leve recuo em comparação aos R$ 8,5 bilhões investidos no ano anterior, a redução é meramente contábil, refletindo a saída do segmento de aviação.

O impulso do BNDES nos aeroportos

Enquanto a Motiva foca nas estradas, o setor aéreo recebe um suporte financeiro pesado via BNDES. O banco nacional anunciou o financiamento para a operadora espanhola Aena, numa operação desenhada para alavancar investimentos que ultrapassam a casa dos R$ 9 bilhões. O BNDES entra diretamente com R$ 4,64 bilhões, atuando em conjunto com o Banco Santander, que proverá cerca de R$ 1 bilhão em suporte adicional.

A transação foi estruturada na modalidade project finance non-recourse, mecanismo em que a dívida é paga com a própria receita futura gerada pelo empreendimento, sem exigir garantias excessivas dos acionistas. Os recursos já têm destino: as obras, algumas já em andamento, visam modernizar o Aeroporto de Congonhas (SP) — o segundo mais movimentado do país — e outros dez terminais espalhados por Mato Grosso do Sul, Pará e Minas Gerais. A meta é ambiciosa: elevar a capacidade desse bloco de 11 aeroportos dos atuais 29 milhões para mais de 40 milhões de passageiros por ano.

O termômetro do mercado imobiliário

Em paralelo aos investimentos na economia real, o mercado financeiro segue monitorando o desempenho dos ativos imobiliários listados em bolsa através do IFIX. O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários operava recentemente no patamar de 3.837 pontos, oscilando marginalmente entre a mínima de 3.836 e a máxima de 3.841 no dia.

Criado em 2012, o IFIX funciona para os fundos imobiliários de maneira análoga ao Ibovespa para as ações: é uma carteira teórica que serve de referência para o investidor. Sua metodologia de “retorno total” é fundamental para a análise, pois reflete não apenas a variação de preço das cotas, mas também o impacto da distribuição de proventos — os dividendos pagos pelos fundos —, oferecendo um retrato fiel da rentabilidade do setor.

A composição do índice segue critérios rigorosos da B3. Para integrar o IFIX, o fundo precisa ter liquidez relevante, estando entre os ativos que representam 99% do índice de negociabilidade, além de marcar presença em pelo menos 60% dos pregões. Também são excluídas as chamadas “Penny Stocks”, cotas negociadas abaixo de R$ 1, garantindo assim a solidez do indicador que baliza um dos mercados mais populares entre os investidores brasileiros.