Crítica

Cuphead é tão bom quanto cerveja

Além de uma lição de vida, um ótimo game para jogar enchendo o caneco

Mês passado a série Rick and Morty me mostrou que a internet pode destruir coisas muito boas com fanatismo e falta de noção. Com Cuphead, jogo feito pelo estúdio independente MDHR, não foi diferente.

O título traz uma bela estética baseada nos anos 30, jogabilidade divertida de plataforma e chefes memoráveis, mas o jogo estava metido em tantas confusões após a estreia no PC e Xbox One que uma aura de repulsa acabou me deixando longe dele por um tempo. Lindo, mas problemático.

Nas últimas semanas, consegui mergulhar no já clássico game e cheguei a conclusão que Cuphead e a minha vida não são tão diferentes, e que o belo jogo tem muito em comum com cerveja.

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Amargo no começo de cada fase, mas desafiador e estimulante após algumas doses, Cuphead é uma experiência extremamente deliciosa e divertida, mas se você não tiver paciência, vai perder o controle (nesse caso, literalmente).

O primeiro encontro

Assim como acontecia nas minhas primeiras baladas, tive que apelar para o álcool para tomar coragem e encarar o jogo pela primeira vez. Depois de ouvir muitos comentários e elogios positivos, tive minha primeira vez com Cuphead ali, no puff da minha sala, junto com mais quatro amigos.

O rolê em questão era um reencontro de Neri, o cara que criou o Nacionais, e os seus amigos de infância. Eu tava conhecendo parte da galera ali no ato, mas em casa com Cuphead, não existe timidez. Graças a dois controles de Xbox 360, o modo co-op do game indie criou conexões significativas entre um pessoal que mal se conhecia. E, apesar do encontro ser regado por Glacial de seis reais, Cuphead deixou tudo com gosto da mais deliciosa cerveja artesanal.

Assim como a cerveja, Cuphead abre portas para a comunicação. No game, os irmãos Cuphead e Mugman devem capturar almas para o Diabo após perderem no jogo para ele. Na sala de casa, todo mundo tentava adivinhar qual seria o próximo passo de cada Boss para os dois que seguravam os controles vencerem o desafio.

O nível etílico nem estava alto, mas todo mundo estava xingando os chefões como se fossem velhos amigos. Além do álcool, a raiva é um ótimo fator para criar conversas – já percebeu que as pessoas sempre falam como o tempo tá feio no elevador e ponto de ônibus?

Durante a jogatina, chutei meu copo pelo menos duas vezes me retorcendo após o tiro de longa distancia me deixar na mão. Os amigos riam e incentivavam  a continuar.

Além de fazer querer arrebentar a plataforma depois de diversas mortes com seus desafios, o modo cooperativo do game permite que os jogadores cresçam juntos, fazendo o sucesso de bater cada nível uma doce e inspiradora vitória.

Cuphead é aprendizado

Depois do rolê alcoólico, também joguei o co-op de Cuphead com meu cunhado, um cara maneiro, mas que infelizmente só vejo quando minha namorada vem pra Florianópolis. Jogamos sóbrios, mas o Efeito Cuphead foi o mesmo: alegria, dor, aprendizado, mais dor, mais aprendizado, vitória. No final de cada fase, nos sentíamos os melhores jogadores do mundo, mas o próximo Boss mostrava que sempre temos muito o que aprender.

Nesse ponto, Cuphead não se distancia do jeito como eu tenho vivido a vida nos últimos anos. Foram muitos os momentos difíceis em que tive vontade de “arrebentar o controle de Xbox” na vida real, mas manter a calma, analisar os erros cometidos e seguir em frente com o aprendizado adquirido sempre foi a melhor opção.

Não importa quão grande seja a vitória, existirão mais desafios, você vai apanhar e, se manter a calma, conseguirá seguir em frente. Tanto na vida como em Cuphead, esses momentos de dificuldade possuem modo cooperativo, e poder contar com os amigos para enfrentar os perrengues da vida é sempre útil, ou, no mínimo, divertido.

Se você quer uma grande dose de nostalgia e referências empacotados em uma bela arte e jogabilidade desafiadora e divertida, você pode jogar Cuphead no Windows/Xbox One e também na Steam.

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