Reportagem

Quem é Hideo Kojima? Conheça o “artista dos games” por trás de Metal Gear e Death Stranding

Se você já jogou algum título da franquia Metal Gear ou já é macaco velho no mundo dos videogames, com certeza já ouviu falar de Hideo Kojima. O desenvolvedor que está criando Death Stranding é um ícone da indústria, mas você sabe o que levou ele a esse patamar?

Natural de Tóquio, Kojima nasceu em 1963 e era apaixonado por cinema na infância, mas após ter contato com os games durante faculdade, resolveu entrar de cabeça neste meio. Em 1986, foi contratado pela Konami, empresa onde trabalhou até 2015.

Seu primeiro jogo na empresa foi Penguin Adventure, em que trabalhou como diretor-assistente. Após um ano na empresa, conseguiu lançar um game onde pôde expressar todo seu potencial: Metal Gear, feito para computadores MSX.

Como Hideo conta nesta entrevista para a IGN, era um grande desafio nos anos 80 fazer um game de ação em que o enredo importasse e não fosse deixado de lado para dar mais ênfase nos combates.

Trabalhando como gamedesigner, diretor e escritor, Hideo Kojima utilizou sua bagagem como entusiasta de cinema e sua experiência com programação para produzir jogos que misturassem as possibilidades do videogame com uma história que capturasse o jogador. Para o desenvolvedor, os games vão além de ser apenas mais uma plataforma de entretenimento, e possuem uma linguagem própria com recursos únicos.

Assim como George Lucas abalou o cinema com Star Wars nos anos 70, Kojima deixou sua marca na indústria de games mostrando que é possível fazer um jogo diferente, envolvente e com uma trama tão elaborada quanto a de um filme. E usando recursos que só são possíveis no videogame.

Enquanto a maioria dos jogos das antigas tinham como premissa passar a adrenalina de ser um soldado atirando em todo mundo, Kojima seguia o caminho contrário e implementava mecânicas para o jogador se esconder e utilizar táticas que iam além de simplesmente apertar o gatilho.

Gameplay de Metal Gear Solid (PS1)

Graças ao ar de experimentação e a ausência de medo na hora de tentar inovar, as mecânicas criadas por Kojima serviram de referência para os games nas décadas passadas e, consequentemente, para muita coisa que é lançada atualmente.

Com uma temática militar e a premissa de ser “um jogo de combate sem combate”, o primeiro Metal Gear foi bem recebido no Japão e se tornou referência no gênero Stealth, graças ao bom uso de storytelling e mecânicas inovadoras. “Seria um jogo de esconde-esconde, mas eu poderia criar tensão adicionando uma história”, explica Kojima. O resultado foi tão bom que a Konami encomendou uma sequência para o título, Metal Gear 2: Solid Snake, lançada em 1990 para o mesmo MSX.

Após oito anos, Kojima voltou a utilizar a sua mais famosa franquia para implementar novas mecânicas nos games. Em 1998, o PS1 ganhou Metal Gear Solid, produção de Kojima trazendo gráficos em 3D pela primeira vez na franquia. O avanço técnico permitia que o criador trouxesse mais cenas cinemáticas (para a época), além de áudio de ponta e sequências de gameplay mais intensas.

Com o sucesso da franquia, Kojima ganhou renome na Konami, e chegou a assumir o papel de vice-presidente da companhia. A franquia Metal Gear se tornou conhecida por espalhar a ideologia de seu criador, trazendo a ação dos games com uma história digna de cinema, fusão que proporcionava uma experiência totalmente nova, e que atualmente já é um padrão na indústria.

O jornalista Andrei Longen (@Andrei_Long3n), fã do trabalho do desenvolvedor, explica o que torna o trabalho do criador de Metal Gear tão único. “Kojima é um cara que pensa em absolutamente em toda a evolução de experiência do jogador com seus games. Nada é por acaso e tudo é pensado e estudado milimetricamente para ser marcante, épico, emocionante e bem executado. São inúmeras as situações diferenciadas em que ele insere o jogador. E são diversos os temas complexos da realidade que ele consegue pôr nas histórias de uma obra de ficção”.

Saída da Konami

Ao todo, foram produzidos mais de 20 lançamentos com o nome Metal Gear, mas nem todos feitos sob a constante supervisão da Kojima Productions, subsidiária criada pelo artista na Konami. Em seu tempo na empresa, o nipônico também produziu e dirigiu outros títulos, incluindo Snatcher, Policenauts, Zone of the Enders e Castlevania: Lords of Shadow.

Kojima como personagem em Metal Gear V

O último game da franquia com Kojima, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, foi lançado em 2015 e marcou a turbulenta saída do artista da Konami. Assim como no cinema, fazer um blockbuster no mundo dos games não é fácil e envolve uma grana. Segundo o jornal japonês Nikkei, o último Metal Gear teve um orçamento aproximado de US$ 80 milhões, o que teria deixado o estúdio receoso com as próximas obras de Hideo. Com isso, a empresa acabou “cortando as asinhas do criador”, mesmo após uma boa e lucrativa recepção de seu game.

Segundo relatórios financeiros, Metal Gear Solid V arrecadou US$ 179 milhões em um dia, além de ganhar diversos prêmios pela sua qualidade. Como o estúdio estava desligando Kojima de sua principal franquia, o desenvolvedor até foi proibido de ir receber a estatueta conquistada no The Game Awards.

Os indícios de que a coisa não estava muito boa entre Konami e Kojima vinham de tempos. Em abril de 2015, a empresa cancelou o promissor Silent Hills, que contava com a participação do ator Norman Reedus e o diretor Guillermo Del Toro. Até o lançamento de Phantom Pain, em setembro, diversos executivos também mencionavam a possível saída do desenvolvedor da empresa que foi o lar de suas ideias durante décadas.

A treta acabou no fim de 2015, quando Hideo saiu oficialmente da Konami e abriu seu próprio estúdio, também chamado de Kojima Productions, para desenvolver uma nova franquia junto com a Sony. Metal Gear continua nas mãos da Konami e vai receber um novo game ano que vem (que não animou muito o público).

Death Stranding e a reinvenção de Hideo Kojima

Apesar de sua grande contribuição para a indústria dos games, Hideo Kojima ainda é visto por muitos jogadores como um artista superestimado. Com a sua saída da Konami e o início da Kojima Productions, o criador terá a oportunidade de mostrar todo seu potencial de forma independente.

Graças a parceria com a Sony, Hideo Kojima viajou por todos os estúdios da empresa e escolheu as tecnologias de sua preferência para fazer um novo game. Após estudar as possibilidades, Kojima vai trabalhar com a engine Decima, da Guerrila Games, responsável por Horizon Zero Dawn.

Com diversos parceiros dos tempos de Konami, incluindo o diretor Guillermo Del Toro, e bastante suporte profissional e da comunidade, Kojima tem tudo para fazer uma obra dos videogames com Death Stranding. O que será que ele nos reserva?

%d blogueiros gostam disto: